Lembranças pessoais podem tocar a memória de todos? Se contadas com uma fina sensibilidade para abordar aquilo que nos une e nos faz humanos, sim. O novo solo de Denise Stutz é uma delicada prova disso. EmFinita, Denise convoca palavras e movimentos para preencher o vazio de uma ausência, o silêncio de uma espera. Nostalgia, expressão talvez mais cheia de sentidos que saudade, dá o tom do espetáculo. Mas a ansiedade a acompanha. Denise coloca um disco, dança, conversa conosco, sai do palco, senta na plateia e nos faz imaginar um encontro que está por vir, uma dança que ainda vai acontecer.

É um espetáculo sem afetação, é como um sussurro: finita é a vida. Denise faz um recorte no tempo que passa e segue dançando. Sua presença ainda está conosco depois que deixamos o teatro, contaminando pensamentos e conversas. E então percebo que esse encontro e essa dança que assistimos são povoados por todos os encontros e todas as danças já realizadas e por realizar. No real, na imaginação e na lembrança.

 

 

***Sobre o autor

Silvia Chalub é jornalista, formada em comunicação visual com pós-graduação em comunicação e imagem, ambos na PUC – RJ. Desde 1999, é coordenadora geral da editora Saber Viver Comunicação, que produz publicações na área de saúde. Há dois anos, pratica dança contemporânea nas oficinas oferecidas pelo Espaço Corpo, projeto do SESC Rio. Em 2013, iniciou seus estudos sobre teoria da dança através de cursos ministrados no SESC e na Escola de Comunicação da UFRJ.

 

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