Quando se viaja neste país que chamamos de Japão. Lá na rua , num bar, numa loja, num trem , algo sempre advém.Esse algo- que é etmologicamente uma aventura- é de ordem infinitesimal: é uma incongruência de roupa, um anacronismo de cultura,uma liberdade de comportamento um ilogismo de itinerário.

Sobre o gesto: a segurança e a independência do gesto não remetem  mais a uma afirmação do eu ( a uma “pretensão”), mas somente a um grafismo de existir; de modo que o espetáculo de rua  japonesa ( ou mais geralmete do lugar publico)excitante como o produto de uma estética secular da qual toda vulgaridade foi decantada, nunca depende de uma teatralidade( de uma histeria)dos corpos ,mas, uma vez mais, daquela escrita alla prima , em que o esboço e o arrependimento, a manobra e a correção são igualmente impossiveis porque o traço, liberado da imagem vantajosa que o scriptor pretenderia dar de si mesmo, não exprime, mas simplesmente faz existir. ( Roland Barthes)

é impressionante como corpo lá se dá como escrita e como eu se for capaz me torno leitora. Como é simples e ao mesmo tempo absurdamente sofisticado. Me pergunto se é no silêncio e na escuta que estes corpos se criam. Se é no entendimento do espaço, do pouco espaço em torno  ( uma ilha, milhões de pessoas) que a escuta se torna tão fina e necessaria.  Experimentei ler um livro no concreto, no acontecimento e me pergunto também como construir o trabalho no acontecimento. Acho que agora me debruço dentro do “Justo uma imagem” nesta questão também.