Se os buquês, os objetos, as arvores, os rostos, os jardins e os textos, se as coisas e as maneiras japonesas nos parecem pequenas, não é em razão de seu tamanho, é porque todo o objeto, todo gesto, mesmo o mais livre, o mais móvel, parece emoldurado. A miniatura não vem do tamanho, mas de uma especie de precisão que a coisa põe ao delimitar-se, deter-se,acabar. Essa precisão que nada tem de razóavel ou de moral: a coisa não é nitida de um modo puritano ( por limpeza, franqueza ou objetividade) mas antes por um suplemento alucinatorio ou por um recorte que tira o objeto a empáfia do sentido e priva sua presença, sua posição no mundo, de toda a tergiversação. E, no entamto essa moldura é invisivel: a coisa japonesa não é contornada como uma iluminura;não é formada de um contorno forte,de um desenho, que viriam “preencher”a cor, a sombra, a pincelada;à sua volta, há: NADA, um espaço vazio que a torna fosca (e portanto a nossos olhos:reduzida, diminuida, pequena).

Roland Barthes

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