Depois do encontro  de hoje do Coletivo cheguei em casa  e li este trecho do livro de Barthes falando do Japão. É bacana , é o olhar estrangeiro e  é um pouco do que se falou . Fiquei pensando no que Michel falou; de quando a rotina faz o olhar perder a poesia e  fico pensando se existe a possibilidade de  “reolhar ”   mesmo que seja para uma outra poesia e se esse outro olhar já não é um deslocamento.

” Em qualquer lugar deste país, produz-se uma organização especial do espaço: viajando( na rua, de trem ao longo dos subúrbios, das montanhas), percebo aí a conjunção de um longínguo e de uma fragmentação, a justaposição de campos ( no sentido rural e visual) ao mesmo tempo descontínuos e abertos ( parcelas de plantações de chá,pinheiros,flores malvas, uma composição de tetos negros um quadriculado de ruelas,um arranjo assimétrico de casas baixas): nenhum fechamento(exeto muito baixo), e no entanto nunca sou sitiado pelo horizonte ( e seu relento de sonho): nenhuma vontade de inflar  os pulmões, de estufar o peito para garantir meu eu, para me construir em centro assimilador do infinito: levado a evidência de um limite vazio, fico ilimitado sem idéia de grandeza, sem referência metafísica. ” ( Roland Barthes)

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