Quando se viaja neste país que chamamos de Japão. Lá na rua , num bar, numa loja, num trem , algo sempre advém.Esse algo- que é etmologicamente uma aventura- é de ordem infinitesimal: é uma incongruência de roupa, um anacronismo de cultura,uma liberdade de comportamento um ilogismo de itinerário.

Sobre o gesto: a segurança e a independência do gesto não remetem  mais a uma afirmação do eu ( a uma “pretensão”), mas somente a um grafismo de existir; de modo que o espetáculo de rua  japonesa ( ou mais geralmete do lugar publico)excitante como o produto de uma estética secular da qual toda vulgaridade foi decantada, nunca depende de uma teatralidade( de uma histeria)dos corpos ,mas, uma vez mais, daquela escrita alla prima , em que o esboço e o arrependimento, a manobra e a correção são igualmente impossiveis porque o traço, liberado da imagem vantajosa que o scriptor pretenderia dar de si mesmo, não exprime, mas simplesmente faz existir. ( Roland Barthes)

é impressionante como corpo lá se dá como escrita e como eu se for capaz me torno leitora. Como é simples e ao mesmo tempo absurdamente sofisticado. Me pergunto se é no silêncio e na escuta que estes corpos se criam. Se é no entendimento do espaço, do pouco espaço em torno  ( uma ilha, milhões de pessoas) que a escuta se torna tão fina e necessaria.  Experimentei ler um livro no concreto, no acontecimento e me pergunto também como construir o trabalho no acontecimento. Acho que agora me debruço dentro do “Justo uma imagem” nesta questão também.

Rever, reolhar, repensar, redescobrir e desapegar. Esta dificil tarefa de voltar a olhar e pensar em outro lugar  dentro do mesmo trabalho. Afirmar o afeto com mais violencia, com mais paixão e ao mesmo tempo ter certeza que  este movimento é mesmo o que me interessa. A sorte agora é que podemos ir fazendo e  vendo onde   isso tudo vai dar.

Para o Felipe, sobre a nossa conversa em cena sobre clichês.

Quando a imagem deixa de ser uma copia e passa a ser um dialogo, a imagem fala e  nós paramos para escutar.

Retomo ao  trabalho que é para mim  um processo constante

 

Seria o vermelho uma  cor que constantemente busca um corpo?

Para Alice,  João Lima, Marcelo Evelin, Valério, Laura, Vinicius, Edu, Christophe Wavelet, Fernando Renjifo, Fernando Salis, Micheline, Tuca, André, Nathalie, Keller, Gui.

Foi descoberto um novo horizonte e nele reencontramos a esperança. apesar de tudo que a nova ordem pretende e perpetra:

” a esperança contudo é um ato de fé e tem que ser sustentado por  ações concretas. Por exemplo, a ação de aproximar-se, de se medirem distancias e caminhar em alguma direção. Isso conduzirá  a colaborações que negam descontinuidade. ” (John Berger)

obrigada. Felipe e Denise

Passeando pelos blogs do projeto Rumos Itau cultural 2009-2010, leio o processo dos outros e é como entrar na intimidade da criação de cada um. Em alguns me identifico com as questões , com os procedimentos e fico curiosa como cada um de nós vai transformar essas perguntas em uma criação ou em uma mostra de processo. É bonito e interessante conseguir  estar proximo de  algumas  pessoas  que mal conheço pessoalmete e imaginar que estão tão enlouquecidas e intensas neste processo quanto eu.

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